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Estudo aponta os gargalos da estrutura turística das sedes da Copa
07 de abril de 2010

Representantes das doze cidades-sede da Copa 2014 receberam estudo do Ministério do Turismo e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que aponta os principais gargalos da infra estrutura turística das sedes, e traça estratégias para a adequação do setor ao maior evento esportivo do planeta.

O documento lista sete diretrizes e 21 “fatores críticos de sucesso” do setor para a realização do Mundial. São itens como serviços e equipamentos turísticos, qualificação profissional, marketing, gestão pública e governança, sustentabilidade, acesso e infraestrutura.

O estudo serve de base à formulação de políticas públicas federais, articuladas ou não com os governos estaduais e municipais, visando à Copa 2014 e ao seu legado.

Confira os principais trechos do estudo:

1 - Investimentos

O orçamento da Embratur, que hoje é de R$ 100 milhões, terá que ser ampliado para atender a todas as diretrizes do programa. O Ministério do Turismo conta com recursos de US$ 1 bilhão do Banco interamericano de Desenvolvimento (BID), e tenta ampliar o financiamento do Prodetur (Programa de Desenvolvimento do Turismo) com uma linha específica para a Copa 2014.A infra estrutura turística carece de obras de saneamento nas praias, rodoviárias, aeroportos regionais complementares, estradas que ligam as praias à cidade e recuperação do patrimônio histórico. E é fundamental melhorar o nosso receptivo. Treinamento em inglês e espanhol para o pessoal que atende aos turistas em bares e restaurantes, e os taxistas”.

2 - Oferta de quartos pode aumentar 30%

A hotelaria é um dos itens centrais para o sucesso da Copa 2014, já que o país espera receber 500 mil turistas durante o evento. Para as cidades que possuem número insuficiente de leitos, as soluções alternativas são uso de navios para hospedagem, construção de vilas olímpicas e o turismo de base comunitária. Para o estudo da FGV, o parque hoteleiro das cidades-sede é satisfatório em número de unidades habitacionais”, e prevê aumento de 30% até 2014.

3 - Sinalização e restaurantes

O estudo constatou que a maioria das cidades possui uma sinalização turística adequada. No entanto, ela deverá ser padronizada e adaptada para atender ao visitante estrangeiro, com instalação de placas multilíngues e de símbolos universais. Conforme o estudo, a oferta de restaurantes também é adequada, “mas precisa ser revista nas cidades menores”.

4 - Atrações

Segundo o estudo, os turistas da Copa permanecerão no país de 10 a 15 dias, em média, e sua estada nas cidades dependerá dos atrativos turísticos que elas oferecerão. Para a FGV, os pontos fortes do Brasil são “os segmentos sol e praia, cultural e ambiental”.

5 - Segurança para o turista

A FGV recomenda que os agentes de segurança recebam treinamento adequado para o atendimento ao turista. O relatório diz que "parte dos destinos-sede de jogos da Copa do Mundo não conta com uma delegacia especializada para o turismo, mas todos têm oficiais ou soldados de Polícia Militar especializados em turismo". O estudo detectou também a ausência de programas de qualificação do efetivo policial para receber os turistas adequadamente. Segundo o documento, apenas 5% do contingente fala 2 idioma.

6 -Segurança para eventos

O Brasil possui experiência na realização de grandes eventos, como os Jogos Pan- americanos de 2007, em que não houve problemas graves de segurança. Afirmou, no entanto, que o país não pode se descuidar.

7 -Transporte

Como alternativas para a entrada e circulação de turistas estrangeiros no país durante o evento, precisa-se ampliar a capacidade aeroportuária e a construção do trem de alta velo- cidade – que liga Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas. Será feito um diagnóstico dos portos e aeroportos que serão as portas de entrada para os mais de 500 mil turistas que virão durante a Copa. O terminal do aeroporto de Manaus precisa ser ampliado. Outros precisam de uma terceira pista. E o trem de alta velocidade vai tornar Viracopos (aeroporto de Campinas) uma peça importante, integrando os três aeroportos de São Paulo”.

O estudo da FGV considera o transporte rodoviário estratégico para o turista cobrir distâncias curtas, mas alerta que “há carência generalizada no que diz respeito à reforma e construção dos terminais”.