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INSTITUCIONAL
O Turismo e sua História
Prof. Dr. Mário Carlos Beni
Turismo refere-se a fruição do espaço natural e cultural à provisão de transporte, alojamento, recreação, alimentação e serviços relacionados para viajantes domésticos e internacionais.
Compreende a viagem por todos os propósitos, desde o lazer até os negócios.
Turismo é um elaborado e complexo processo de decisão sobre o que visitar, onde, como e a que preço.
Nesse processo intervêm inúmeros fatores de realização pessoal e social, de natureza motivacional, econômica, cultural, ecológica e científica, que ditam a escolha dos destinos, a permanência, os meios de transporte e o alojamento.
O objetivo da viagem em si pode ser para fruição tanto material como subjetiva dos conteúdos de sonhos, desejos, de imaginação projetiva, de enriquecimento existencial histórico-humanístico, profissional, e de expansão de negócios.
Esse consumo é feito por meio de roteiros interativos espontâneos ou dirigidos, compreendendo a compra de bens e serviços da oferta original e diferencial das atrações e dos equipamentos a ela agregados em mercados globais com produtos de qualidade e competitivos.
Para melhor visão do fenômeno do Turismo, distinguem-se três linhas diferentes de análise teórica da atividade turística.
- 01 - A primeira linha se coloca na perspectiva da produção e envolve uma pluralidade de empresas que atuam no setor, algumas das quais operam a agregação da matéria-prima em produto acabado, enquanto outras oferecem bens e serviços já existentes.
- 02 - A segunda linha refere-se à distribuição do produto ao consumidor. Aqui há uma visível analogia entre a atividade de produção e a de distribuição, pois, sendo um setor no qual são produzidos preferencialmente serviços, é também um setor de atividades no qual o momento produtivo pode corresponder ao distributivo, com a passagem dos bens e serviços turísticos diretamente do produtor ao consumidor.
- 03 - A terceira linha consiste em identificar e estabelecer as condicionantes da viagem e os componentes comportamentais do viajante, o tempo de permanência no local, os equipamentos receptivos solicitados, suas motivações de sua destinação – a estrutura de gastos – e a estratificação socioeconômica do consumidor.
Resumindo, para efeito de melhor compreensão das três linhas indicadas, pode-se dizer que a primeira procura saber quais são os segmentos produtivos e as empresas que devem ser considerados essencialmente como “turísticas”, e que integram o setor Turismo na economia; a segunda procura definir as relações do Turismo como o resto da atividade econômica, para o que se serve das definições dele provenientes da primeira linha de análise teórica, que considera a atividade a partir do lado da oferta, e a última dessas linhas, que o faz a partir da demanda; a terceira gira em torno da própria definição de turista, cujas atividades, por extensão, permitem determinar o que se entende por Turismo.
Em suma, o fato de o Turismo encontrar-se ligado, praticamente, a quase todos os setores da atividade social humana é a principal causa da grande variedade de conceitos, todos eles válidos enquanto se circunscrevem aos campos em que é estudado. Não se pode dizer que esse ou aquele conceito é errôneo ou inadequado quando se pretende conceituar o Turismo sob uma ótica diferente, já que isso levaria a discussões estéreis. Estas poriam justamente em evidência as limitações conceituais existentes sobre o fenômeno.
A história das viagens confunde-se com a própria história da humanidade, pois os deslocamentos sempre acompanharam o desenvolvimento humano. O homem pré-histórico se deslocava em busca de alimentos e proteção, respondendo ao instinto natural de sobrevivência e de defesa.
Mas na Antiguidade Clássica o maior destaque deve ser dado para a Grécia e Roma, pelo conjunto de fatores importantes e pelo grande papel que esses dois povos tiveram na organização das viagens e dos meios de transportes. Numa visão planejada foram construídas obras viárias de infra-estrutura que até hoje permanecem desafiando o tempo. São estradas, pontes, viadutos que permitiram deslocamentos cada vez mais longos.
Até a motivação das viagens da Antiguidade Clássica guarda semelhanças com os atuais fluxos do turismo moderno.
O Renascimento Europeu que abrange o período do século XIV até o século XVII refletiu, na opinião de Inskeep (1991:4), a melhoria da produtividade da agricultura e o renascimento das cidades, a expansão do comércio e dos negócios, a exploração global e as descobertas européias, o florescimento das artes e da literatura, e o começo da moderna ciência. Representou a quebra do domínio da religião e encorajou a satisfação pessoal e o desejo de explorar e de entender o mundo.
Em meados do século XVIII, as transformações provocadas pela Revolução Industrial começaram a contribuir para o estabelecimento do turismo tal como é conhecido na atualidade. O século XIX foi marcado por profundas mudanças econômicas e sociais, com os trabalhadores migrando das áreas rurais de agricultura básica para as áreas urbanas, onde se localizavam as fábricas. A nova tecnologia da máquina a vapor, a princípio implantada nas fábricas de forma estacionária, foi aplicada aos navios e ao trem.
Principais vertentes do Turismo moderno: Termalismo, Cassinismo, Paisagismo e Montanhismo.
O movimento mais conhecido no século XIX foi, sem dúvida, o termalismo, cujo fluxo de pessoas aos balneários produziu a conversão destes lugares para o prazer e o descanso. Segundo Fernádez Fuster (1974:590), houve o florescimento do turismo residencial termal, e as cortes dos principais países europeus não ficaram alheias a esse movimento.
Enquanto isso, o jogo começava a fazer a fortuna de Monte Carlo: em 1872, Mônaco recebia 10 mil visitantes; as receitas brutas semanais elevaram-se a mais de dois milhões de francos; havia 443 apartamentos “móveis” (de temporada), 35 hotéis e 116 vilas, segundo Acerenza (1986:63).
Também era comum desfrutar das “residências campestres”, buscando os compromissos sociais e momentos de uma vida bucólica, num movimento denominado paisagismo. Como já se viu, a “classe turística” por excelência até meados do século XIX, era a aristocracia. Na segunda metade do século, a burguesia em ascensão também procurou imitar esse modelo, construindo e adquirindo casa de campo. Ainda nesse período, San Sebastian, sobre a costa basca, na espanha, Biarritz, na França, Cascais e Estoril, em Portugal, começaram a receber, no verão, a corte, o governo e a nobreza da Europa, provocando o nascimento dos primeiros balneários litorâneos.
O século XIX vivenciou o início do movimento de viajantes de montanha nos Alpes e logo se difundiu por toda a Europa central e ocidental.
Um pioneiro pouco enfocado na literatura ocidental foi Bernardo de Abreu, que criou a Agência Abreu na cidade do Porto, em Portugal, em 1840, o ano em que a rainha D. Maria II completou a linha de trem de Lisboa àquela cidade.
Ainda no início da década de 1840, Henry Wells e Willian George Fargo também começaram suas atividades vinculadas ao serviço de entregas rápidas envolvendo o transporte expresso de valores, documentos, encomendas, etc. Assim, em 1850, surgiu a American Express, fundada por Wells, Fargo e John Butterfield, que, à medida que o dinheiro de papel era implantado, iniciava seus negócios na área financeira ( Massengill, 1999). Principiou a venda de ordens de pagamento em 1882, as quais tomaram a forma dos conhecidos travellers chekes ( cheques de viagem).
Mas ainda na década de 1840 apareceu mais um personagem importante: Thomas Cook , que estabeleceu as bases do turismo, sendo considerado por vários estudiosos (Acerenza, 1986; Fuster, 1974) como o primeiro operador profissional, o fundador das agências de viagens, ou, ainda, o pai do turismo moderno.
Bibliografia:
BENI, M.C.: Análise estrutural do Turismo. 10ª ed.- São Paulo: Senac, 2004.
_________: Política e planejamento de turismo no Brasil. São Paulo: Aleph, 2006.
REJOWSKI, Mirian (org.): Turismo no percurso do tempo. São Paulo: Aleph, 2002.
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